Defesa Civil promove Capacitação em Comunicação de Risco no primeiro dia de programação em alusão aos eventos extremos de 2024
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Nesta segunda-feira (4) teve início, na Universidade Franciscana (UFN), em Santa Maria, a semana de eventos em memória aos dois anos das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024. Neste primeiro dia, as atividades foram conduzidas pela Defesa Civil estadual, com a realização da 1ª Capacitação em Comunicação de Risco para Municípios. Durante a atividade, foi distribuída a Cartilha de Boas Práticas em Comunicação de Risco, produzida pela Defesa Civil do Estado.
O coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil, coronel Luciano Chaves Boeira, abriu o evento relembrando os impactos da tragédia. Coronel Boeira destacou que, após os desastres de 2023 e 2024, tornou-se necessário aprimorar a comunicação de risco junto aos municípios. Nesse sentido, ressaltou avanços como, por exemplo, o uso do ColorADD — sistema de identificação de cores para daltônicos — nos alertas publicados pela Defesa Civil, aprimoramento que surgiu a partir de um comentário feito por um seguidor do Instagram da Defesa Civil Estadual.
O prefeito de Santa Maria, Rodrigo Decimo, deu continuidade à abertura, também relembrando com pesar as enchentes e destacando a importância da atuação conjunta entre Defesa Civil, gestores públicos, comunicadores e a sociedade. “Comunicação de risco não se improvisa. Ela se constrói com planejamento, integração e treinamento, como este de hoje”, afirmou o prefeito, fazendo referência à capacitação promovida na ocasião.
Após a abertura, deu-se início ao curso com apresentação pela diretora do Departamento de Gestão de Riscos, tenente-coronel Ana Maria Hermes, e complemento da chefe de Comunicação Social da Defesa Civil estadual, tenente Sabrina Ribas, que contextualizaram o significado da comunicação de risco. Para isso, foram dados exemplos comunicacionais práticos utilizados e aprimorados pela Defesa Civil, tais como: o Cell Broadcast (Difusão Celular), os alertas infográficos publicados nas redes sociais e os mascotes adotados para atingir diferentes públicos.
A apresentação também destacou a Pesquisa de Percepção de Riscos de Desastres, realizada em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em 2025, que buscou identificar como a população gaúcha percebe e se relaciona com eventos extremos como os de 2024. Na sequência, as professoras da Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Laura Storch e Ada Cristina Machado Silveira, abordaram sobre a importância da interlocução entre as universidades e o Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil.
Na continuidade da capacitação, os participantes ouviram sobre a importância de os agentes da defesa civil e os profissionais de comunicação considerarem o público-alvo da comunicação de risco. Dessa forma, o curso propôs levar em conta a realidade do município, da comunidade e do território em que vivem as pessoas. “Os desastres não atingem todas as pessoas da mesma forma. A comunicação de risco também não”, destacou a apresentação.
Além disso, foi lembrado que as pessoas se informam de formas e em momentos diferentes e, por isso, é importante que as mensagens sejam veiculadas em diferentes canais de comunicação e de forma contínua, mantendo as informações sempre atualizadas. Também foram apresentados os diferentes formatos de mídia utilizados pela Defesa Civil do Estado em suas redes sociais, como: os reels para conteúdos rápidos, o carrossel para conteúdos educativos e os stories para alertas imediatos.
Com foco na parceria na parceria com a imprensa local e com canais comunitários, a capacitação sugeriu o estabelecimento de uma comunicação direta com os veículos a fim de evitar desencontros de informações. Além disso, também foi destacada a importância de haver um porta-voz oficial da Defesa Civil para dialogar com a imprensa e facilitar a interação entre os atores.
Planejamento e atuação em situações de desastre
Ao voltar-se para aos gestores públicos municipais, o curso abordou os Planos de Contingência (PLANCONs). Nesse contexto, foi ressaltada a importância elaborar um PLANCON claro e de fácil compreensão da população, a fim de alcançar uma percepção positiva sobre a preparação municipal para eventos de crise, além de preparar a comunidade para agir nesses momentos. Também foi enfatizada a necessidade de incentivar o cadastro da população no serviço de recebimento de alertas por SMS, por meio do número 40199.
Para situações em que um desastre está acontecendo, foi salientado que o papel da Defesa Civil é orientar comportamentos imediatos e salvaguardar vidas. Destacou-se ainda, a importância da atualização constante dos avisos e alertas, bem como do combate a desinformação nesses contextos. Também foi reforçado que, após a ocorrência de um desastre, a Defesa Civil pode atuar na redução de riscos residuais, no apoio à retomada da normalidade e na assistência à população.
Por fim, a 1ª Capacitação em Comunicação de Risco propôs que a comunicação de risco vai além de informar: constrói confiança, fortalece a proximidade com a população, favorece respostas rápidas em emergências e fomenta uma cultura de prevenção. Assim, com distribuição dos exemplares da Cartilha de Boas Práticas aos participantes, a Assessoria de Comunicação do Social da Defesa Civil do Estado buscou difundir os conhecimentos compartilhados a longo da capacitação.


